Se Adormeces em Qualquer Lado, Isto Não É Normal

Ter sono a meio da tarde de vez em quando é normal. Precisar de uma sesta todos os dias, adormecer em reuniões ou ao volante, é outra coisa: chama-se sonolência diurna excessiva, e num estudo populacional recente afectava cerca de 16% dos adultos.[1] Não é preguiça, é um sinal de que alguma coisa no teu sono (ou na tua saúde) não está a funcionar. A boa notícia é que a maior parte das causas tem nome, e muitas têm solução sem precisares de mudar a vida toda.

Homem a adormecer de dia, com a cabeça apoiada numa pilha de livros

Como Sabes se é a Sério (e Não Só Cansaço)

Toda a gente tem dias maus. A diferença está na frequência e na intensidade. Os especialistas usam a Escala de Sonolência de Epworth, um questionário simples criado em 1991 que continua a ser a referência mundial, para medir isto: pergunta qual é a probabilidade de adormeceres em 8 situações do dia-a-dia, como ver televisão, estar sentado numa sala de espera ou parado no trânsito.[2] A pontuação vai de 0 a 24, e a partir de 11 já é considerada sonolência excessiva. Se te revês em "provavelmente adormecia" em várias destas situações, vale a pena continuar a ler.

As Causas Mais Comuns

A causa óbvia: simplesmente não dormes o suficiente

Parece básico, mas é a explicação mais frequente. Um estudo sueco com quase 28 mil adultos mostrou que o risco de sonolência diurna sobe de forma consistente à medida que as horas de sono descem, com o maior risco em quem dorme 4 horas ou menos por noite.[1] Se andas a "roubar" horas ao sono durante a semana, o corpo cobra a factura durante o dia.

Duas pessoas exaustas, sentadas, com sinais visíveis de cansaço

Dormir o suficiente, mas mal

Este é o que mais surpreende as pessoas: podes cumprir as horas todas e continuar exausto. O mesmo estudo sueco identificou insónia, má qualidade de sono, stress constante e sintomas depressivos como factores de risco quase tão fortes quanto o número de horas em si.[1] É a diferença entre estar na cama 8 horas e dormir mesmo 8 horas.

O relógio biológico fora de horas

Quem trabalha por turnos, sobretudo turnos rotativos ou nocturnos, luta contra o próprio ritmo circadiano: o corpo está programado para estar alerta de dia e sonolento de noite, e inverter isto tem um custo real de sonolência diurna (ou, no caso de quem trabalha de noite, sonolência precisamente durante o turno). Jet lag frequente e horários de deitar muito irregulares entre a semana e o fim-de-semana têm o mesmo efeito, em menor escala. Se este é o teu caso, o testemunho da Maria, enfermeira por turnos, mostra que dá para melhorar mesmo sem mudar de horário.

Apneia do sono: a suspeita número um

Quando a sonolência diurna é persistente e vem acompanhada de ressonar alto ou pausas na respiração relatadas por quem dorme ao teu lado, a apneia obstrutiva do sono sobe imediatamente à lista. Uma meta-análise recente com quase 43 mil participantes encontrou sonolência diurna excessiva em quase 40% das pessoas com apneia.[3] Se reconheces este padrão, o nosso guia sobre sintomas de apneia do sono ajuda a perceber se faz sentido procurar avaliação.

Outras causas médicas a não esquecer

Uma revisão clínica publicada na Mayo Clinic Proceedings lista ainda vários culpados menos óbvios: hipotiroidismo, anemia por défice de ferro (o sangue transporta menos oxigénio, o corpo cansa-se mais depressa), depressão, e medicamentos com efeito sedativo (alguns anti-histamínicos, ansiolíticos e antidepressivos).[4] Se as causas óbvias (sono a menos, má qualidade, stress) não explicam o que sentes, vale a pena falar com o médico e descartar estas, sobretudo se vierem acompanhadas de outros sinais, como frio constante e queda de cabelo (hipotiroidismo) ou falta de ar ao subir escadas (anemia).

O Perigo Real: a Estrada

Não é exagero: uma meta-análise com mais de 65 mil condutores concluiu que conduzir com sono aumenta em cerca de 2,5 vezes o risco de acidente rodoviário.[5] Se sentes os olhos a pesar ao volante, encosta. Não há chamada, música ou janela aberta que substitua uma sesta de 15-20 minutos ou, melhor ainda, trocar de condutor. Os avisos costumam chegar antes: bocejos repetidos, dificuldade em manter os olhos focados na estrada, ou reparares que já não te lembras dos últimos quilómetros.

O Que Fazer, na Prática

Homem a bocejar à secretária, a trabalhar com sono durante o dia

Se o Colchão Também é Suspeito

Quando o sono à noite é interrompido por um colchão desconfortável, o corpo nunca chega às fases mais reparadoras. Vem ver as opções da Moka.

Ver Colchões

Conclusão

Sono a mais durante o dia não é um traço de personalidade, é um sintoma. Às vezes a causa é simples (dormir mais cedo resolve), outras vezes é um sinal de que vale a pena investigar mais a fundo, sobretudo quando há ressonar alto envolvido. De qualquer forma, é um sintoma que compensa levar a sério: pelo menos até chegares à estrada.

Para continuar a leitura: se o ressonar for parte da equação, lê o guia de sintomas de apneia do sono; se o problema é mesmo adormecer à noite, os 7 hábitos de higiene do sono são o ponto de partida certo. Tens tudo aqui no Saúde e Sono.

Dorme bem! 😴

Referências Bibliográficas

  1. Theorell-Haglöw, J., Ulander, M., Brandberg, J., Claesson, M., Franklin, K. A., Hedner, J., Hultin, M., Iredahl, F., Lindberg, E., Ljunggren, M., Malinovschi, A., Mannila, M., Pesonen, I., Prakash, A., Sahlin, C., Sköld, M., Spaak, J., Tanash, H., Zou, D., & Grote, L. (2025). What are the important risk factors for excessive daytime sleepiness in a population-based cohort? Journal of Sleep Research, 34(4), e14449. https://doi.org/10.1111/jsr.14449
  2. Johns, M. W. (1991). A new method for measuring daytime sleepiness: the Epworth sleepiness scale. Sleep, 14(6), 540–545. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/1798888/
  3. Salari, N., Gholami, A., Jalili, F., Zereshki, E., Heidarian, P., Shohaimi, S., & Mohammadi, M. (2025). Global prevalence of excessive daytime sleepiness in patients with obstructive sleep apnea: a systematic review and meta-analysis. Indian Journal of Otolaryngology and Head & Neck Surgery, 77(1), 216–223. https://doi.org/10.1007/s12070-024-05146-0
  4. Gandhi, K. D., Mansukhani, M. P., Silber, M. H., & Kolla, B. P. (2021). Excessive daytime sleepiness: a clinical review. Mayo Clinic Proceedings, 96(5), 1288–1301. https://doi.org/10.1016/j.mayocp.2020.08.033
  5. Bioulac, S., Micoulaud-Franchi, J. A., Arnaud, M., Sagaspe, P., Moore, N., Salvo, F., & Philip, P. (2017). Risk of motor vehicle accidents related to sleepiness at the wheel: a systematic review and meta-analysis. Sleep, 40(10), zsx134. https://doi.org/10.1093/sleep/zsx134